Em gravação divulgada nas suas redes sociais nesta sexta-feira, 31 de maio, o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, questionou publicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de se deslocar ao Rio de Janeiro para uma audiência com o governador Cláudio Castro.
O objetivo do encontro, marcado para a segunda-feira, 3 de junho, é discutir a operação policial que resultou em 121 óbitos nos complexos do Alemão e da Penha.
Na declaração, Malafaia dirigiu-se diretamente ao ministro: “Não tenho medo do ditador da toga Alexandre de Moraes, que promove perseguição política e religiosa contra mim para me calar”. O religioso definiu a convocação como uma “aberração jurídica e uma vergonha”.
Em sua argumentação, o pastor afirmou que compete exclusivamente aos governos estaduais comandar as ações de segurança pública. “O Ministério Público não é o senhor da ação policial. O senhor da ação policial são os governadores de Estado. Muito menos o Supremo Tribunal Federal”, declarou.
Malafaia também atribuiu a iniciativa do ministro a uma motivação política. “Quer aparecer? Pendura uma jaca no pescoço! Sai de trás da toga e vem pro jogo”, ironizou, sugerindo que a medida seria uma manobra para “produzir fato político”.
O pastor estabeleceu uma ligação entre as regras impostas pela Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas e a consolidação do crime organizado nessas localidades. “As favelas se tornaram quartel-general do crime no Brasil sob o manto dessa decisão”, afirmou.
Ao final, Malafaia reiterou seu respeito pelos moradores das comunidades, que descreveu como majoritariamente “honesta e trabalhadora”, e criticou a ausência de uma ação federal mais contundente. “Lula não quis assinar uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), e o Brasil está entregue ao terror dos criminosos”, concluiu.