O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), informou a deputados federais, em reunião realizada na quinta-feira, 30 de maio, que não receberá o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no Palácio da Guanabara, sede oficial do governo estadual.
De acordo com os parlamentares presentes, Castro declarou que o encontro com o magistrado ocorrerá no Centro Integrado de Comando e Controle, mesma localidade da reunião com os deputados. A instalação é responsável pela articulação das ações das polícias Civil e Militar e é equipada com uma mesa de operações e dezenas de monitores que exibem imagens em tempo real de diversas áreas da cidade.
Alexandre de Moraes, relator da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) das Favelas no STF, decidiu visitar o estado do Rio de Janeiro após uma operação policial de grande escala nos complexos da Penha e do Alemão resultar em 121 mortos.
Segundo o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara e participante do encontro, o governador enfatizou que “a visita de Alexandre não é política. É técnica”. A assessoria de Castro confirmou que o objetivo é apresentar o local de onde a operação foi coordenada, permitindo que o ministro tenha acesso às imagens transmitidas por câmeras corporais dos agentes e por drones.
O governador também exibirá a Moraes as mesmas gravações da Operação Contenção mostradas aos deputados. Bilynskyj descreveu que as imagens selecionadas exibem “ladrões atirando nos policiais, baleando dois deles”, em cenas que mostram um confronto em área de mata onde os dois primeiros policiais de uma formação “são atingidos de cima para baixo, e caem”. O deputado afirmou que não foram exibidas imagens de pessoas sendo atingidas por tiros disparados por policiais.
Conforme Bilynskyj, o governador e sua equipe de segurança demonstraram “zero preocupação” com a visita, sustentando que “todas as regras da ADPF foram cumpridas”. Ele reiterou a posição do governo: “A operação é resultado de uma investigação de um ano. A Justiça autorizou a polícia a fazer 180 mandados de busca e a cumprir 70 de prisão preventiva. Os que morreram não se entregaram, decidiram atacar os policiais”.
Durante a reunião, o governo estadual apresentou estimativas indicando a presença de aproximadamente 500 criminosos armados no Complexo do Alemão e 900 no Complexo da Penha. Os dados de apreensões divulgados foram: 91 fuzis, 26 pistolas e 14 artefatos explosivos.