O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), acionou formalmente o Itamaraty nesta quarta-feira em função da situação da deputada federal Luizianne Lins (PT/CE). A parlamentar integrava a missão da flotilha Global Sumud, cujas embarcações foram interceptadas pelo Exército de Israel enquanto tentavam romper o bloqueio marítimo à Faixa de Gaza.
Em documento endereçado ao chanceler Mauro Vieira e ao diplomata Celso Amorim, o deputado Lindbergh Farias solicitou a atuação do governo brasileiro para garantir a “integridade física” e a “liberdade” de Luizianne Lins e de outros brasileiros no grupo. O texto descreve que a deputada encontra-se “sob poder das forças armadas de Israel” após a operação de interceptação.
Contexto do Incidente: A organização Global Sumud, uma coalizão de entidades da sociedade civil e ativistas de direitos humanos, despachou uma frota com mais de 40 barcos e aproximadamente 500 tripulantes de 40 nacionalidades distintas. O objetivo declarado da missão era entregar ajuda humanitária diretamente em Gaza, contornando o bloqueio imposto por Israel.
Israel, contudo, emitiu vários alertas para que as embarcações não se aproximassem do local, tendo em vista se tratar de uma zona de guerra. O governo do país também revelou documentos que apontariam a ligação do grupo terrorista Hamas com o envio das embarcações.
Comunicação da Parlamentar: Através de sua conta no Instagram, a deputada Luizianne Lins publicou um vídeo, classificado por ela como um “story”, no qual se comunica com seus seguidores. Na gravação, a deputada refere-se à situação como um “sequestro” e faz apelos diretos.
“Se você está assistindo este vídeo é porque fui sequestrada pelas forças de ocupação israelenses e levada contra minha vontade. Peço ao meu governo para acabar com qualquer relação econômica com Israel e a me levar para casa. Pare o genocídio em Gaza”, declarou Luizianne Lins na publicação.
Entenda
Israel mantém um bloqueio terrestre e marítimo à Faixa de Gaza desde 2007, quando o grupo Hamas assumiu o controle do território. O governo israelense afirma que a medida é de segurança necessária para impedir a entrada de armas de forma clandestina.
Organizações humanitárias internacionais relatam que o bloqueio resultou em uma crise humanitária profunda para a população civil. Incidentes semelhantes com frotas de ajuda ocorreram no passado, sendo o mais notório o episódio do navio Mavi Marmara em 2010, que resultou em mortes.