Brasília – O ministro da Defesa, José Múcio, fez um que classificou como “grave alerta” sobre a situação orçamentária das Forças Armadas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, nesta terça-feira (30). O ministro compareceu à comissão solicitando apoio dos parlamentares para superar o que definiu como um estado de “penúria” na pasta.
“Eu vim atrás de ajuda. Somos o maior país da América Latina, temos 52% do PIB da região, mas as Forças Armadas não sei nem se estão entre as três primeiras. Temos bastante equipamento comprado, mas não temos dinheiro para comprar peças”, declarou Múcio aos senadores.
Em sua exposição, o ministro detalhou a situação operacional das Forças. “Falta combustível, faltam peças, faltam munição. Nós temos 30 dias de munição, 30 dias espanta o inimigo, mas se ele voltar outra vez, não tem o que fazer”, afirmou, referindo-se à capacidade de resposta militar em cenários de conflito prolongado.
Contexto Orçamentário e Industrial
Múcio defendeu o fortalecimento da indústria de defesa nacional como parte da solução para os desafios atuais. Segundo dados apresentados por ele, o setor reúne 270 empresas estratégicas e é responsável pela geração de aproximadamente 3 milhões de empregos no país.
O ministro também enfatizou a necessidade de manter as Forças Armadas como instituições de Estado. “Exército, Marinha e Aeronáutica devem permanecer como instituições de Estado, alheias às disputas partidárias”, afirmou, posicionando-as acima de interesses políticos momentâneos.
A audiência ocorreu em um contexto de debates sobre alocações orçamentárias para o setor de defesa no Congresso Nacional. O ministro não detalhou valores específicos necessários para sanar as deficiências apontadas, mas deixou clara a urgência do quadro perante os membros da comissão.
A situação descrita pelo ministro contrasta com operações de grande escala recentemente realizadas, como a Operação Atlas, que mobilizou dez mil militares e equipamentos de última geração na Região Amazônica, evidenciando desafios entre a capacidade operacional e a sustentabilidade logística de longo prazo.