Contra indicação de Bolsonaro ao STF, Alcolumbre tem usado ‘dossiê’ contra Mendonça

A demora na marcação da sabatina do jurista André Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), parece ter uma explicação, e ela estaria ligada a uma iniciativa inusitada do senador Davi Alcolumbre, responsável pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal.

Isso porque, segundo o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Davi Alcolumbre “tem mostrado a vários senadores um dossiê contra o candidato de Jair Bolsonaro à vaga de Marco Aurélio de Mello. Nele, constam detalhes de uma antiga reunião que Mendonça teria tido com o hoje desaparecido Deltan Dallagnol, na qual o ainda chefe da AGU teria sido prometido apoiar postulados que eram bandeiras da Força-Tarefa da Lava-Jato.”

Ou seja, Alcolumbre estaria usando o apoio externado por Mendonça no passado, à Operação Lava Jato, como ferramenta contra ele, a fim de influenciar a visão dos senadores contra o indicado de Bolsonaro para o STF. Isso porque, para ser oficializado ministro do tribunal, o pastor evangélico precisa da aprovação de pelo menos 41 dos 81 senadores.

Ocorre que, por outro lado, o apoio de Mendonça à Lava Jato tende a ser um ponto positivo para ele e para o presidente Jair Bolsonaro, visto que a maioria da população enxergou com bons olhos a operação, considerada a maior no combate à corrupção da história. Essa avaliação independe das recentes decisões do STF, assim como das posições atuais do ex-ministro Sérgio Moro.

A sabatina (sessão de perguntas) realizada na CCJ é um procedimento formal que visa testar os conhecimentos jurídicos e fazer uma avaliação das posições pessoais do indicado. Embora não seja suficiente para barrar a indicação (porque a votação ocorre no plenário e não apenas entre os membros da comissão), esta é uma fase necessária para a oficialização dos novos ministros.

Em um evento realizado na Igreja Batista Central de Brasília na terça-feira (5), onde estiveram presentes várias autoridades, o próprio presidente Jair Bolsonaro e centenas de líderes religiosos, Mendonça falou sobre a sua visão jurídica e o que espera do país.

“Sonho com um Brasil onde os direitos de liberdade, de igualdade, de justiça, de vida, de trabalho, de prosperidade e solidariedade sejam efetivos e dentro desse valores, o valor mais sublime é a Justiça. É o valor capaz de conciliar todos os outros valores sem si mesmo”, afirmou.