O advogado que representa o presidente Donald Trump, Martin de Luca, em processos envolvendo a sua rede social, publicou um longo texto onde fez críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em determinar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por suposta tentativa de golpe de Estado.
Leia, abaixo, a íntegra do texto publicado por Martin de Luca, onde o mesmo ironiza a trama golpista, chamando-a de “golpe da Disney”, referindo-se às acusações contra o ex-presidente como narrativas de cunho político. Leia:
“Bolsonaro transferiu voluntariamente o poder para Lula em 31 de dezembro de 2022. Ele deixou o cargo pacificamente. Pegou um voo para Orlando. Alugou uma casa para uma curta estadia e fez planos para levar seus netos à Disney World.
Em 1º de janeiro, Lula assumiu o controle total de todas as forças de segurança do Brasil. E oito dias depois — com Bolsonaro no exterior, afastado do poder e longe das rédeas do Estado — Lula e Alexandre de Moraes declararam uma “tentativa de golpe” após algumas centenas de manifestantes invadirem prédios governamentais vazios em Brasília, em um tranquilo domingo de verão. Bolsonaro denunciou o protesto em tempo real.
Um golpe após deixar o cargo. Um golpe sem armas, sem cadeia de comando, sem chance de sucesso. Um golpe supostamente orquestrado por um ex-presidente na Flórida, enquanto se preparava para ir à Disney com seus netos. Um golpe que o suposto líder denunciou em tempo real nas redes sociais.
Nenhum jurista sério poderia olhar para essa sequência de eventos e chamá-la de golpe de Estado. No entanto, ela resultou em uma sentença de 27 anos para a principal figura da oposição no Brasil, um homem que liderou quase todas as pesquisas presidenciais nos últimos três anos, às vésperas da eleição de 2026.
A região já presenciou guerras jurídicas políticas antes. Mas raramente foram executadas com esse nível de absurdo transparente. Serão lembrados como os 27 anos do golpe da Disney.
E o momento é crucial. Exatamente um dia depois de os Estados Unidos demonstrarem boa vontade ao flexibilizar as tarifas, Moraes partiu para o exemplo mais agressivo de instrumentalização judicial até então, confirmando ao mundo precisamente o motivo pelo qual essas tarifas e sanções foram impostas em primeiro lugar.
A história já mostrou esse padrão. Jair Bolsonaro agora se junta às fileiras de Václav Havel, Nelson Mandela, Lech Wałęsa — líderes presos não por violência ou corrupção, mas porque suas ideias e seus apoiadores ameaçavam o domínio do establishment governante.
As instituições revelam seu caráter pela forma como tratam seus oponentes políticos. As democracias sobrevivem graças à moderação por parte daqueles que detêm a autoridade e ao respeito pelo direito do povo de escolher seus líderes.
Quando os tribunais abandonam esses princípios, visando sistematicamente o adversário mais formidável para a próxima eleição, a justiça se torna uma máscara usada por aqueles que temem o veredicto do povo.”